quarta-feira, 29 de julho de 2015

CAMINHOS DIFERENTES




Caminhos Diferentes.

Por todos os lados visões reluzentes,
escuridão já não se vê, mas ainda há receios.
andar atento e olhares diferentes,
momentos de alegria e crescimento. Devaneios.

Das ruas não sobraram as terras,
lembranças que  insistem e perduram. Distantes.
já não se tem crianças, rio, lagos e as serras,
sobram desconfianças e vidas cansadas e ofegantes.

Movimentos incessantes e insistentes. Cresceram.
busca de fé e sem cansaço a diferentes saberes,
persistências positivas que continuaram e venceram.

Mas, na vida se faz de escolhas. Não se desdenha.
tempo que passa e mesmo que mostre diferenças,
também mostra evidências de bela e acertada resenha.


                                         Gilberto - 20/07/15.



domingo, 5 de julho de 2015

O ARTISTA



O Artista.

            Era a festa dos sonhos. Dezessete anos e a ideia em cursar uma faculdade se tornando realidade, verdadeiramente uma mistura de alívio e comemoração por terminar a educação básica e iniciar a educação superior.
            Colegas se abraçando, muita alegria e a partir daquele momento cada um tomaria um caminho. Desejos e escolhas muito diferentes. Medicina, odontologia, direito, engenharia, enfim, a felicidade se confirmando como algo muito pessoal e independente de opiniões.
            No dia seguinte foi correr atrás de documentos e iniciar o curso tão almejado, desde o início do ensino médio, apesar de jovem, já sabia o que queria e no decorrer das aulas de arte sempre ficava encantada quando o assunto era pintura da idade média, quadros coloridos, diferentes autores e uma diversidade de cores me encantavam e me aproximavam cada vez mais do que sempre quis.
            As aulas se iniciaram e passei a morar em uma república ao lado da faculdade. Tudo naquele local lembrava muito as diferentes obras que foram vistas em estudos anteriores, Alberto Magno, Van Der Goes, Leonardo da Vinci, Melchior e muitos outros artistas que eu tanto admirava. Ninguém os notava tanto quanto eu. As paredes e cada espaço do prédio de estudos suscitavam arte, um festival de cores onde tudo era muito agradável. A cada aula as novidades iam aparecendo, essas descobertas traziam um mundo fantástico que somente a arte pode propiciar. Fora das paredes da faculdade tudo se dava em razão dos estudos, até o local onde escolhi para morar, juntamente com mais oito amigas era muito acolhedor, uma grande casa com enormes paredes, corredores largos com muita claridade e um ambiente individual para cada uma de nós. As festas e as visitas eram práticas comuns entre todos os estudantes, um momento de conversas e de sairmos um pouco das cobranças e assuntos relacionados aos estudos. Eu já tinha muitos amigos novos, mas um em especial me chamava a atenção, conversávamos pouco e ele sempre aparecia quando haviam poucas pessoas na sala. Tinha estatura média, pouco sorriso no rosto e quando pouco falava as palavras soavam com um belo sotaque italiano. Bem característico estava sempre vestido com um avental azul claro e calça escura, nas mãos carregava sempre um par de pincéis. Olhava-me muito e logo após subia as escadas com acesso ao piso superior onde ficava o atelier mais antigo e compartilhado por muitos alunos que ali haviam passado. Algumas vezes subi atrás dele para ver o que iria fazer, afinal não era comum sempre os mesmos gestos e comportamento. Mas, ao avistá-lo sempre permanecia parada por alguns minutos apreciando a facilidade e a leveza com que ele manejava os pincéis sobre um quadro ao fundo da sala, pelas características parecia a figura humana. Estava sempre na sala, mas nunca o vi deixando a casa pela porta comum. Era sempre assim, pessoas se divertindo, dançando, discutindo conteúdos do curso e o quando alguns já tinham deixado o local aparecia o meu amigo misterioso. Cheguei a perguntar a uma colega sobre ele, mas percebi uma reposta vaga como se apontasse para outra pessoa, confesso que não entendi nada, foi como se tivesse apontando para ele, porém, se referindo a outra pessoa. Aliás, era como se ninguém o notasse.
            Foram meses até eu encontrá-lo pela última vez. Nem parecia aquela pessoa cheia de mistérios. Esboçou um lindo e longo sorriso e me convidou para ver o seu quadro, agora finalizado, diga-se um lindo quadro cheio de detalhes e com os traços mais perfeitos que eu jamais poderia imaginar. Meu rosto estava ali. Acima o título ‘Retrato de uma Jovem’ e; abaixo, ao final da tela, a assinatura ‘Botticelli’, 1475. Um quadro renascentista remodelado em minha homenagem.
            Neste dia me esforcei, mas novamente não consegui vê-lo deixar o local. A partir daquele momento somente o quadro passou a ser realidade e a ser exposto na parede onde todos podiam ver e admirar. Até perguntavam-se quem o criou. O artista eu já não via mais.

Gilberto - 05/07/15. 

sábado, 18 de abril de 2015

A BRINCADEIRA NA VIDA DA CRIANÇA

A Brincadeira na Vida da Criança.


             Brincar. Uma ação essencial e significativa na vida da criança e que refletirá muito em sua vida adulta.
            Seja em casa, na escola, sozinhos ou com amigos devemos cultivar esses momentos e saber que as descobertas do conhecimento e crescimento estão sempre acompanhadas por brincadeiras, uma forma de alegria e felicidade à fase infantil. Elas são até mesmo um direito garantido na Declaração dos Direitos da Criança, que diz: “Toda criança terá o direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantir a ela o exercício pleno desse direito”.
            Dá gosto falar de brincadeiras. Com muito otimismo abrem-se várias possibilidades e o desenvolvimento de mudanças que trarão novas configurações educativas e formativas. Deve-se acreditar que a educação, pelas ações e reações propostas ao brincar, estabelecem resoluções e percepções que atendem aos mais variados discursos. Entre eles, afirmativamente, está o entendimento sobre as diferenças e diversidades que encontramos tanto no ambiente escolar como fora dele. Na brincadeira se descobre, há interações habituais e favoráveis ao desenvolvimento humano e suas necessidades específicas. E, não estou falando aqui somente em fatores físicos e biológicos, estes são mais que evidentes e recomendáveis, são necessários à qualidade de vida e à promoção da saúde. É fato. Reforço mesmo é a condição de fator social, que almeja valores, trata e fortalece as necessidades de caráter e cidadania. Aliás, sobre isso não há que ter discordância, afinal são estas as respostas que esperamos às crianças em qualquer meio por onde estejam quer que estejam. Desta maneira, seja na escola, em casa ou em qualquer outro ambiente frequentado, deve-se priorizar a brincadeira como algo inerente ao desenvolvimento infantil e que estabelece conexões à formação adulta. Esta aproximação outorga, a qualquer pessoa adulta, compromisso e um papel decisivo às mais diferentes formas de brincar que justifique e reconheça este processo como ações formativas e educativas e que estabeleça, verdadeiramente, sua tal essencialidade. Sem exageros.

Gilberto -  18/04/15.

 


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CORPO DESUMANO

Corpo Desumano.

         A constante busca por um ser completo passa por diferentes e perigosos caminhos. É como se o mundo se preocupasse somente com o corpo perfeito e se esquecesse de que o corpo humano é essencial à vida.
         Constantemente muitas pessoas, em seus cotidianos, não se dão conta de que seus corpos são dignos de cuidados e merecem devidas atenções para que se estabeleça um equilíbrio entre o que se deseja e o que se pode. Isso implica em reconhecer o próprio corpo como principal patrimônio à saúde e à qualidade de vida (corpo e qualidade de vida devem andar juntos) conceituando fatores e atitudes beneficentes ao equilíbrio do organismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece alguns valores para que a pessoa esteja dentro de um padrão que leve à qualidade de vida, entre eles está o lazer, valor primordial que suscitará ações ao lazer, à recreação e ao movimento do corpo humano. Aliás, se movimentar é necessário.
         Corpo perfeito, corpo malhado com abdômen tanquinho, são corpos construídos, invejáveis, mas que não podem ser referencias ou padrões de saúde e bem estar. Em muitas mentes essas características são o que importa ao corpo, se esquece de que ele é vida, requer um tratamento subjetivo e racional. Corpos viventes, para a vida e para que funcione segundo a fisiologia humana, isso é o que importa.
         Olhando ao nosso lado nos deparamos com os mais variados tipos de pessoas e com as mais diferentes formas corporais. Realizando um teste, nestes tipos e formas, podem ser observados quantos são os corpos perfeitos e quantos são os corpos viventes (ou que deveriam ser). Notamos ainda um descaso com o próprio corpo quando se remete à prática de atividades físicas, alimentação e outros fatores favoráveis à qualidade de vida. Cuidar do corpo é cuidar de você mesmo. Desta forma, ninguém pode se prender em práticas exageradas de movimentos, bem como se descuidar, demasiadamente, da alimentação e de hábitos salutares ao desenvolvimento físico e mental. Não quero me pegar aqui pregando uma prática viciada de movimentos, uma convivência em academia ou uma realização de regimes pesados e absurdos. Estes não surtem efeito quando impostos, desencorajam uma continuidade e tomam um rumo à insatisfação. Por outro lado quero dizer que cada um é responsável pelo seu corpo, seu patrimônio, corpo e qualidade de vida, lembra?
         Crie bons hábitos e não faça nada com exagero. Atividade física é importante, dedique quinze minutos por dia (tempo mínimo) para ela. Hoje em dia não é necessário ir para uma academia, faça seus movimentos em casa, individualmente ou em companhia de alguém, caminhe (não ande), corra, alongue, flexione, se mexa, mas com responsabilidade, com seriedade, ao seu gosto e ao seu ritmo. Uma boa alimentação requer atenção, não considerar regimes ou passar fome, mas sim algo equilibrado e leve, evitando açúcar, massa e gordura. Perceba a importância de se evitar e não cortar repentinamente e definitivamente o que se tem como má alimentação. Ainda neste caminho, consumir água é sempre bem vindo.
                     Nosso corpo, pela sua importância e o que se faz com ele despende de muita atenção a boas maneiras de viver. Um bem que está em nós e deve ser cuidado da melhor maneira possível.
        
Gilberto - 23/01/15.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SEGURANÇA



   Segurança.

            Diariamente tomamos conhecimento de várias ocorrências envolvendo acidentes em casa. Já não chega a ser mais surpresa e o que causa espanto é que, mesmo diante de tantos casos, as pessoas insistem em negligenciar o próprio lar. Não há idade específica, todos são vítimas das próprias armadilhas que muitas vezes nem sabem que existem. Não têm noção do perigo dentro de casa. As crianças são as maiores vítimas, os adultos, diversas vezes, são surpreendidos pelo excesso de confiança, os idosos são reféns constantes de situações simples onde bastaria uma simples orientação ou correção. É assim mesmo, acidentes se multiplicam.
            A história da dona Maria, 73 anos de idade, é só mais uma que você vai ler e se lembrar de outras. dona Maria e seu Alberto, 76 anos de idade, moravam em uma casa enorme, quatro quartos, escada, muitos adornos, degraus, cozinha e sala impecável. Seu Alberto vivia colocando móveis e tapetes no lugar. Aos finais de semana, quando havia visita dos filhos, era uma festa. A alegria dos netos e a comilança tomavam conta da casa. Por vezes ocorriam alguns acidentes, corriqueiros, mas que sem atenção necessária convergiam para algo mais grave.
            Noite de segunda-feira, ao ir para o quarto dormir, dona Maria tropeçou no tapete colocado no piso próximo á escada que leva ao quarto. Uma queda direta onde a cabeça bateu no segundo degrau da escada. Esse, como muitos outros acidentes dentro de casa poderia ter sido evitado, faltou um olhar a quem mais convivia dentro daquela casa. Da mesma forma é assim com muitos outros materiais e condições expostas dentro de casa no dia a dia das pessoas: tomadas, gás, pia, tanque, móveis, portas, janelas, lustres, chuveiros, fiações, produtos perigosos, fogão, remédios, materiais pérfuros-cortantes... Tudo é atenção pura.
            A alegria na casa do seu Alberto já não é a mesma. Poderia ter sido diferente se algumas medidas tivessem sido tomadas. Seu Alberto está viúvo.
            E você? Tem prestado atenção em sua casa? Prevenção é tudo.

Gilberto - 19/12/14.