sábado, 11 de março de 2017

DICAS DE PREPARAÇÃO - ENEM (EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO) - 2026



Dicas de Preparação - ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) - 2026. 

Se nada mudar o Exame seguirá suas Datas normalmente;

1- Atente-se a todas as orientações da equipe de aplicação;




ENEM 2026
* Inscrições: de 25/05 a 05/06 - Prorrogadas até 12/06/2026.

* Dias das Provas: 
09 e 16 de Novembro (Versão Escrita e Versão Digital previstas para a essa mesma data).

* Taxa de Inscrição: R$ 85,00 
* Isenção de Taxa de Inscrição: Estudantes que estão no último ano do Ensino Médio em escola pública / Estudantes que concluíram integralmente, na Rede Pública ou Bolsista na Rede Particular,  o 3º ano do Ensino Médio, sob análise de carência / Declarantes de carência. 
     Importante: O candidato que teve isenção aceita no ano passado (2025) e que não compareceu às provas, caso queira pleitear nova isenção, deverá entrar no portal, quando da inscrição, para justificar o motivo da ausência e aguardar o resultado.
*A edição deste ano conta com inscrições automáticas para concluintes do ensino médio da rede pública e ampliação de locais de prova, permitindo que a maioria dos estudantes realize o exame na própria escola.

* DOIS DOMINGOS: O exame é realizado em dois domingos consecutivos. 
* REDAÇÃO NO 1º DIA: O primeiro dia compreenderá Linguagens e Ciências Humanas, além da tão pensada e temida Redação. O tempo será de 5 horas e meia.  
2º DIA: Matemática e Ciência da Natureza. O tempo será de 5 horas. 
* FIM DA CERTIFICAÇÃO: A partir da edição de 2017 o exame deixou de certificar para o Ensino Médio. 
* SÁBADO: Não há mais realização de Prova neste dia.
* RANQUEAMENTO: Desde 2018 não há mais divulgação de classificação das escolas. O interesse passa a ser exclusivamente ao estudante.
* HORÁRIOS: Abertura dos portões: 12h00. Fechamento dos portões: 13h00. Início das provas: 13h30. 

DICAS IMPORTANTES:

1) Organize seu tempo:
Aproveite bem o seu tempo. Reserve um espaço do seu dia para realizar algum estudo ou reflexão sobre o exame. Faço deste tempo um período produtivo. Ficar se estressando e sentir-se cansado de tanto estudar não vai dar resultado, comece devagar e não faça loucuras como passar a noite em claro estudando ou tomar remédios para deixar o sono de lado. Que tal se dedicar começando por 30 minutos, uma hora e ir aumentando este tempo?  Aos poucos você vai entrando no ritmo e se sentindo mais perto do exame.

2) Aproveite o ano letivo:
É possível relacionar o conteúdo que você está aprendendo na escola com o que precisa ser estudado para o ENEM. Afinal, tudo que você vê em sala de aula pode ser cobrado no exame. Por isso você pode, sempre que possível, revisar diariamente o que vê nas aulas na medida em que vai estudando os outros conteúdos que já aprendeu. Não se esqueça de, também, tirar as dúvidas com seus professores. Assim, além de não chegar ao final do ano com conteúdos acumulados, você não vai precisar se preocupar em estudar muito às vésperas das provas da escola. Desta forma você chegará ao dia do Enem mais seguro e pode ainda garantir boas notas na escola.

3) Faça resumos:
Uma boa forma de se organizar com o conteúdo que você está estudando é fazendo resumos e esquemas das matérias: escrever além de ajudar a memorizar também vai e ajudar quando chegar a hora de fazer a revisão. Faça coisas do tipo rascunho mesmo, o importante é que esteja com sintonia com o que se pretende. Uma boa maneira de resumir é repetir conteúdos e exercícios que você já domina.

4) Conheça as habilidades cobradas:
Todas as regras estabelecidas para o exame estão contidas em seu edital. Lendo essas informações você já terá importante noção do que o MEC espera dos participantes neste ano. Com essas informações já dá para ir traçando um caminho a chegar no dia do exame e se sentir mais seguro à sua realização. Tudo o que o MEC quer é o seu conhecimento.

5) Informe-se e busque conhecimento:
Todos sabem que temas da atualidade são muito cobrados nas provas do Enem. O tema da redação do último exame, por exemplo, foi “Publicidade Infantil em Questão no Brasil”. No ano de 2013 foi “Efeitos da Implantação da Lei Seca no Brasil”. É claro que a cada exame novos temas são explorados e você tem que estar preparado para questões a serem exigidas. Ler jornais, sites e assistir aos telejornais são importantes ações e fundamental para se sair bem no exame. Mas também é importante buscar outros tipos de informação. Há publicações de informações científicas, ou com temas mais específicos, que devem também ser fonte de informação. O aluno tem que saber sobre os fatos, sobre a ciência e as evoluções em diferentes aspectos, campos e pesquisas. Deve-se buscar conhecimentos em todos os aspectos.

6) Exercite-se:
Parece que não, mas essa dica é muito importante. Afinal, fazer as provas do Enem é uma verdadeira maratona. Entre deslocamento de casa até o local de prova e o tempo que você leva para responder às questões, são, pelo menos, mais de 10 horas dedicadas ao exame em apenas um final de semana. Para conseguir enfrentar esse ritmo é fundamental que seu corpo esteja condicionado também fisicamente e isso só depende de você, praticas alguma atividade física neste momento é de grande importância. Fazer exercícios, ainda que de forma leve, vai ajudar também a ter mais rendimento durante a sua preparação. "O sedentarismo diminui a nossa capacidade de produção. A atividade física é deveria ser obrigatória para qualquer pessoa. Ainda que seja pouco, o estudante tem que adquirir esse hábito que hoje em dia não é mais questão de habilidade física, mas sim de saúde.

7) Redação:
O medo do lápis e do papel na hora de escrever a redação do Enem pode ser superado com o treino e aqui é só treinando mesmo. Nós estamos acostumados a ouvir que para escrever bem é preciso ler muito: isso é a mais pura verdade. Mas é preciso também escrever muito e refletir muito. Escrever se aprende escrevendo, aprender se aprende reescrevendo quantas vezes forem necessárias. Preste atenção ao tema, não fuja do que se pede e construa sua redação obedecendo aos seguintes critérios: a) Atenção ao tema, b) Tópico Frasal, c) Desenvolvimento e Conclusão. Saiba expor suas razões, causas e consequências do assunto e finalizar a redação dizendo o porquê de tudo o que escreveu. Neste caso, para desenvolver essa habilidade, vale treinar resumos.

8) Troque ideias:
Seja na realização das questões ou mesmo na redação, ENEM exige muito que você desenvolva raciocínio crítico. Dúvidas sempre haverão e nesta hora seria importante pedir ajuda a outras pessoas, tenha a sua opinião, mas saber a opinião de outros nos ajuda a entender melhor o assunto, se você fizer uma redação peça para outra pessoa ler e também emitir sua opinião, isso ajuda a entender melhor um assunto e ainda dar subsídios para melhorar ainda mais a escrita. Esteja atento a tudo o que acontece na sociedade, pense no assunto e escreva sobre ele. No dia do exame você, certamente estará mais seguro. 

9) Tecnologia:
Há algum tempo atrás a única opção para se preparar para provas, exames e concursos era apenas na escola, revisão de conteúdo em casa ou frequentar algum curso preparatório. Atualmente se preparar também fora do ambiente escolar é importante, mas as ferramentas on-line se tornaram importantes ferramentas de ajuda e preparação ao candidato. Estudar com a ajuda da internet, por meio de videoaulas, por exemplo, é um ganho na praticidade. No entanto, é necessário se certificar de que o conteúdo que está sendo oferecido é de qualidade. Uma dica, entre muitas, é o canal https://www.youtube.com/channel/UCs_n045yHUiC-CR2s8AjIwg. Procure em www.youtube.com, nele há uma série de vídeos que o ajudará a se preparar e entender melhor o ENEM.

10) Relaxar:
Não adianta enfiar a cara nos livros, isso cansa e não se pode esquecer a vida social. Para atingir seu objetivo de se sair bem no exame e conseguir um bom resultado ou uma vaga na universidade é necessário ter equilíbrio em suas atividades. É essencial que sua rotina reserve, além do tempo para os estudos, momentos de descontração e relaxamento. Muitas dessas atividades como teatro, cinema, livro de literatura e música, são ao mesmo tempo produtivas e podem auxiliar na sua preparação. Mas, a ideia aqui é descansar. Não se esqueça de reservar um espaço da sua vida para se dedicar aos amigos, namorado(a) (sem exageros) e família.

Curiosidades:

1-Quadro Comparativo:

ENEM 2012
ENEM 2013

Nota
MÍNIMA
MÁXIMA
MÍNIMA
MÁXIMA
C. HUM.
295,6
874,9
299,5
888,7
C. NAT.
303,1
864,9
311,5
901,3
LINGUA.
295,2
817,9
261,3
813,3
MATEM.
277,2
955,2
322,4
971,5
REDAÇ.
0
1000
0
1000


2- Tempo de Prova / Média por Questão:

1º Dia - Início as 13h30 - Término as 18h30 (Linguagens, Ciências Humanas e Redação).
2º Dia - Início as 13h30 - Término as 17h30 ( Matemática e Ciências da Natureza).

Importante: Nos dois dias os portões fecham as 13h. As provas se iniciam as 13h30.
                    Portanto: Chegue com pelo menos 30 minutos de antecedência ao local de prova.

 
180 questões em 2 dias
Média de 3 m por questão
Redação: 1h p/ realização

3- Divisão:

A prova é dividida em dois dias. No primeiro são 90 questões, sendo 45 de Ciências Humanas e suas tecnologias e 45 de Linguagens e suas Tecnologias e uma Produção Textual (Redação). Já no segundo são 45 de Ciências da Natureza e 45 de Matemática e suas tecnologias.
Embora a prova seja extremamente interdisciplinar, podemos dizer que cada área tem, digamos, suas principais disciplinas. Vamos a elas:
  • Ciências Humanas e suas tecnologias = Geografia, História e; em menor quantidade, Sociologia.
  • Ciências da Natureza e suas tecnologias = Química, Física e Biologia.
  • Linguagens, Códigos e suas tecnologias = Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Arte, Educação Física e; em maior quantidade, Língua Portuguesa.
  • Matemática e suas tecnologias = Matemática. 
           
            É isso aí. Pensando assim é só se preparar e aguardar um resultado favorável.
            Boa sorte.

Professor Gilberto - Prefeitura Municipal de Suzano.

            Gilberto - 122/05/2026.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

HERÓI DE ASAS



Herói de Asas


                       O dia era para ser aproveitado e passamos a manhã toda passeando de barco pelo rio. Tudo era muito agradável.
                      Entre matas e quedas d’água se aproveitava cada momento e se apreciava cada detalhe do local, como os peixes que pulavam sobre a água e alguns belos pássaros que mergulhavam em busca de refresco e alimento. Lembro que, ao mergulhar, um deles pegou uma quantidade grande de peixes entre o bico longo e as asas grandes. Eram tantos que um daqueles pássaros chegou a cair dentro do barco e; mesmo tentando desviar, fui levemente ferido no braço pelo seu bico dourado e brilhante. No local do ferimento minha pele ficou brilhando também. Diz a lenda que essa espécie de pássaros são próximas do ser humano e auxiliam, de alguma forma, em algumas dificuldades. Depois de horas navegando foi necessária uma parada para refeição e descanso, mas o que não se esperava era o grande temporal que estava por vir, de um minuto para outro, sorrateiramente, ventos fortes nem esperaram a embarcação chegar à margem e já a empurrava com força sem um local certo para desembarque. Um drama que assustou e tomou conta de todos. A correria e os gritos foram grandes, os que estavam à frente saíram sem grandes problemas, porém muitos tiveram muitas dificuldades para chegar à terra firme, caíam, nadavam, se perdiam e nem sabiam onde estavam. Minha última lembrança no barco foi quando, ao tentar pular no rio, bati com a perna na ponta de uma corda e caí água adentro. Desesperador.
                 Meu olhar agora era outro, via tudo superficialmente. Uma confusão entre estar dentro e fora do rio ao mesmo tempo. Quando em cima percebia que aquela situação se fazia, de fato, complicada e era grande o número de pessoas que ainda não haviam conseguido sair da água, se debatiam e pediam por socorro. Por vezes minha memória falhava e não me lembrava de alguns momentos, parecia uma intensa falha que se recuperava de tempo em tempo e que a cada retorno mostrava um número menor de pessoas dentro da água. E recordo que foi assim incontavelmente até que ninguém estivesse mais na água. Todos estavam seguros, fora de perigo e distantes do grande barco que não resistiu e afundou. Eu estava no alto, com grandes asas um bico reluzente que, a cada mergulho, conseguiram tirar da água todos os que estavam em perigo. Meu braço trazia uma parte que ainda brilhava, ajudei a todos como um grande herói. Virei pássaro.

Gilberto - 26/02/17.

sábado, 28 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE PRINCESA




História de Princesa

                        Naquele lindo e imenso castelo vivia uma linda jovem. Clara, apesar de quinze anos de idade, era muito querida por todos.
                      Sempre com um sorriso no rosto adorava andar por todos os cantos daquele local e, muitas vezes, junto com seu amigo, Ernest, procurava conhecer todos os espaços de uma imensidão que tanto a encantava. Chegou ali muito pequena, tinha três anos apenas e em suas vagas lembranças não conseguia esquecer os brutos soldados que levaram seus pais e seu irmão dois anos mais velho que ela. Tem a convicção de que só não foi levada junto com eles por estar dormindo em baixo da sua cama, uma velha mania que tinha e que pode ter a deixado para trás.  Lembra que seu irmão, mesmo pequeno, gritava muito e mesmo não pronunciando seu nome se mostrava desesperado pela irmã. Alguns dias depois que seus pais tinham sido levados ela foi achada através de seu choro que, mesmo baixo, chamou a atenção de uma camareira do rei que passava por perto. A camareira a recolheu com muita cautela e em silêncio a levou para casa. Ali, Clara cresceu na companhia dos filhos da camareira. Ela considerava todos daquela casa como sua família, mas falava pouco de seu passado, mesmo porque a doce camareira que a criou evitava falar do passado. Pressentia que tinha algum mistério no ar. Somente lamentava nunca mais ter visto seus pais e seu irmão.
                        Ela sabia que para o rei mandar qualquer pessoa embora do castelo e de suas redondezas era uma prática fácil e costumeira, por vezes presenciou o mesmo expulsando pessoas do castelo ou mesmo de suas proximidades, bastava alguma discordância e lá iam os soldados buscar os desafetos e levá-los para longe. Para onde iam ninguém sabia, havia  comentários que eram deixados em calabouços ou em outros reinos muito, muito distantes. Certa vez Clara e seu amigo Ernest resolveram seguir uma caravana de soldados que levava uma família embora, saíram do castelo escondidos em uma carroça junto com eles, mas perceberam que o caminho estava ficando longe demais e resolveram, disfarçadamente, descer e voltar. Realmente ninguém sabia para onde levavam as pessoas.
                        Ernest era um amigo que quase sempre estava em sua companhia. Apesar de ter chegado há cinco anos para trabalhar no castelo se adaptou bem aos costumes e à rotina, era ele que cuidava dos cavalos do castelo e por isso tinha certa proximidade com o rei e com os seus soldados. Clara confiava muito nele. Os anos se passavam e os dois cada vez mais estavam juntos. Assim como Clara, Ernest também não tinha família, chegou ao local como um forasteiro sem destino e que por ter grandes habilidades com equinos foi logo incorporado aos serviçais do rei. O grande castelo estava sempre cercado, além das enormes muralhas também havia uma imensidão de soldados e homens fiéis à coroa, pois este reinado, algumas vezes, era ameaçado por outros reinos, mas devido à sua tirania e força poucos ousavam enfrentar ou tramar ações contra o castelo.
                      Quinze anos se passaram desde que Clara foi acolhida por uma nova família. Uma grande festa aconteceria, desde a meia-noite, para comemorar todo esse tempo do rei no poder. Uma coincidência com a maioridade de Clara. Naquele dia, apesar da festa, o clima no castelo estava estranho, soldados por todo canto e uma proteção ao rei maior do que a normal, mas Clara achava que era pela grande expectativa em virtude da grande festa. Logo pela manhã saiu pela rua e como sempre foi procurar por Ernest para aproveitarem o dia, sua alegria não deixava qualquer pessimismo crescer, mesmo com toda a proteção vista em todos os cantos por onde passava. Chegando à casa de Ernest uma grande surpresa, não encontrou o amigo, foi procurá-lo em outros locais e nada de achá-lo. Buscas em vão. Rapidamente foi até onde achava que o encontraria, o Recanto dos Cavalos, um local onde ficavam todos os cavalos do castelo e a grande tropa de homens responsável pela segurança da coroa e de suas terras, era um espaço enorme. Logo que chegou não viu ninguém e também nenhum animal estava ali. Pela primeira vez mostrou-se preocupada.
                        Ao voltar pelas ruas que levavam diretamente ao castelo não via ninguém, achou que as pessoas estariam comemorando o dia em algum outro local, apesar de estranhar todo aquele silêncio. De repente um grandioso grito ecoa no ar, era tão forte que chegava a tremer os cartazes espalhados pelas luminárias das calçadas. Agora entendia porque não encontrava ninguém, certamente as pessoas sabiam do que estava por acontecer e saíram antecipadamente de suas casas. Do forte grito e saindo pelas grandes curvas que davam à entrada do castelo viu aparecer à sua frente um grande exército, centenas de homens em seus cavalos seguiam para o castelo. Na frente do grande exército um cavalo diferente e um bravo soldado fazia seu papel na condução da tropa, seu rosto ficava oculto pela bela máscara e suas vestes brilhavam pela cor e pelos adereços tão marcantes. Ao chegar perto dela esse soldado perguntou o que ela ainda fazia ali e disse que todos estavam fora dos muros do castelo, pois naquele momento haveria uma importante invasão para derrubar o rei e acabar com todo o seu reinado de domínio e de maldades sobre povo e sobre os reinos vizinhos, pediu para ela sair daquele local. Apesar de concordar, bastou o soldado seguir com o exército para ela se esconder atrás de uma parede e aguardar todo os acontecimentos. Algumas horas se passaram, muitos gritos foram ouvidos até que tudo foi se acalmando e a batalha, por trás das paredes do castelo, havia acabado. Um enorme silêncio e muitos homens já voltavam, cansados pela batalha passavam por Clara comemorando e dizendo palavras de ordem e vivas ao novo rei. Pensativa ela somente queria entender o que de fato acontecia. Agora aquele soldado que a orientou na entrada vinha ao final da tropa, ainda de máscara mostrava contentamento e alegria. Novamente parou perto de Clara e pediu para a mesma subir em seu cavalo que a levaria à entrada do castelo para ver a entrada do novo rei, pois o castelo havia sido tomado e o antigo rei, apesar da fuga pelos fundos, havia sido destituído, preso e levado pelos soldados para outro reino muito longe dali. Ela titubeou, mas mesmo assim seguiu com ele rumo ao ponto de encontro à chegada do novo rei.
                        Ainda dentro do castelo o enorme portão se abriu e uma grande caravana adentrou com uma carruagem aberta à frente, sobre ela o rei e sua rainha. A carruagem parou perto de Clara e o novo  rei olhou firme em seus olhos, lágrimas escorreram e com a voz firme a chamou de filha e de minha pequena linda. Clara estava sem entender nada e ficou apreensiva quando a rainha também lhe rendeu os mesmos gestos e palavras do rei, neste momento ela olhou para o soldado, agora sem máscara, que havia a levado até ali e uma teve uma grande surpresa, era Ernest. Este com um bonito sorriso logo a chamou de princesa e linda irmã. Estavam ali seus pais e seu irmão. Ainda sem entender muito bem subiu com os três na carruagem e por onde passavam as pessoas acenavam e mostravam alegria pelo novo rei, pela rainha, pela princesa e pelo príncipe. No caminho a camareira que a acolheu quando pequena subiu, com toda sua família, em uma carruagem logo atrás, ela sabia de toda a história desde o começo e foi reconhecida como alguém primordial ao reinado e recompensada com títulos pela lealdade e fidelidade ao novo rei.
                        Na porta do castelo tudo foi explicado a Clara. O rei disse tudo sobre a expulsão de anos atrás, que estava muito longe e que a cada dia fora das redondezas do castelo ele e a rainha pensavam nela a cada instante, que foram expulsos porque seria ele o sucessor a assumir o reinado em poucos dias e que o rei, que não queria que isso ocorresse, resolveu atentar contra a família ordenando sua expulsão  para um lugar onde não pudesse mais voltar. Esperou Ernest crescer para começar a virar o jogo, ele foi preparado, junto ás forças de outros reinos contrários ao rei que os expulsaram, para que já dentro do castelo fossem montadas estratégias para a retomada do reino. Agora o castelo tem um novo rei e uma nova princesa.
                        Clara continua linda e adorada por todos. Vive ao lado dos pais e de seu amigo e irmão, príncipe Ernest. 

Gilberto - 29/01/17.

sábado, 21 de janeiro de 2017

PÉS GRANDES NA BELA ILHA



Pés Grandes na Bela Ilha

                        Uma Linda noite. Muita luz, festa e pessoas felizes pelas ruas. Lembro que a chegada àquele local era exatamente assim.
                       Toda aquela alegria e movimentação traziam uma combinação perfeita para aquele dia, véspera de feriado e de uma grande comemoração que viria no dia seguinte em várias partes da Ilha Verde, muito valorizada pelos antigos jesuítas e convertida em um importante espaço social, de turismo e de estudos. Aliás, foi o estudo que me levou a esse destino através de tudo que aprendia a cada aula vista na faculdade de ciências sociais em meu país. Da cultura conhecia pouco, mas das histórias sempre me encantavam aquelas de muitos mistérios que são conhecidas desde a época da ocupação portuguesa.
                        Era dia de festa e a cidade estava cheia de gente. O primeiro dia, dos quatro em que fiquei hospedado em um hotel, próximo a um antigo convento, foi marcado pela curiosidade, pela pressa em fazer amizades e pela desconfiança que era enxergada no comportamento das pessoas que pareciam sempre reservadas e pouco falavam, mas por vezes achava que era devido ao meu estado de estrangeiro e devido a tantas perguntas que prevaleciam em meus diálogos. Em relação a esses diálogos ainda bem que boa parte daquelas pessoas falava e entendia a minha língua, pois sair de São Paulo diretamente para Macau chegou a dar uma ponta de angústia por não saber o que ali, exatamente, me aguardava. Este primeiro dia passou com esperança às expectativas e vontade de aprofundar mais ainda meus estudos.
                        No segundo dia andei bastante pelo local, a colina era muito grande e foi preciso muito tempo para percorrer apenas parte da bela terra, explorei bastante as montanhas, antigas construções e os portos tão utilizados por antigos navegantes e mantidos até os dias atuais. Ao sul da Ilha pude ouvir várias histórias misteriosas, de tempos antigos e também algumas atuais, as pessoas do grupo ao qual eu estava diziam que não acreditavam e que tudo aquilo eram relatos que passavam e prosseguiam através do tempo. Eu preferia ser cauteloso nas análises, algumas dessas histórias pareciam tão reais que assustavam, como a do monstro do mar de duas cabeças, da lenda do navio cheio de fantasmas que sobrevoava pela Ilha de dez em dez anos e ainda da história do monstro dos pés grandes, aliás, esta foi a que mais me impressionou. No retorno ao hotel estava tão cansado que fui rapidamente dormir.
                        A luz do dia pareceu chegar mais cedo daquele lado, talvez por isso, no terceiro dia, acordei com sensação de cansaço, parecia que havia carregado muito peso, como os estivadores locais, porém animado para outros momentos e novos conhecimentos. No café silêncio e momentos de estranheza, as pessoas falavam baixo e sem parar, demonstravam receios, pronunciavam, mediante as diferentes línguas, uma ocorrência da noite. Comentavam sem parar sobre um ser diferente que algumas pessoas juravam ter visto pelas ruas, algumas fotografias até foram tiradas, mas refletiam somente uma grande imagem escura e disforme, o que mais chamava a atenção nas falas eram os enormes pés, bem maiores do que aqueles de uma pessoa normal, era como se uma pessoa com medidas normais tivesse os pés três vezes maior do que o comum.
                        O grupo de estudos saiu para as tarefas daquele dia e por horas percorreu por diferentes caminhos e áreas macaenses, aliás, somente à luz do dia é que pude, realmente, notar ainda mais as belezas e as antiguidades de Macau.  O que mais se ouviu no percurso foi a história do pé grande que apareceu pela região. Muita discussão e um medo que pairava no ar. Entre ruas e ladeiras exploramos cada ponto de parada e conhecemos bem mais da história local. Por grandes estradas e avenidas, igrejas e diferentes monumentos, típicos da região, o sol foi se pondo e todos pegaram o caminho de volta à hospedagem. Eu mais cansado ainda.
                        Nos dias que se seguiram, até a partida de volta para casa, um grande mistério se fez, não sei por que, mas a sensação que tenho hoje é que, praticamente, foram dois dias em um. Da noite anterior lembro somente de jantar e cair na cama, a partir dali somente vestígios de uma cidade noturna com pessoas correndo de um lado para o outro, nunca via ninguém atrás de mim, era eu que seguia atrás delas, em certas horas as ruas estavam vazias e já não se enxergava qualquer pessoa. As palavras que, vagamente, mais lembro eram: monstro, enorme, socorro. Somente não entendia os motivos pelos quais não conseguia lembrar os assuntos que me levaram àquele cenário, tudo sempre estava vago em minha memória. Nada sobre os estudos em minha mente e tudo parecia ter passado muito rápido. De fato, duas noites em uma.
                        Ao final do quarto e derradeiro dia é que as coisas foram se esclarecendo. Não sei como voltei ao meu quarto nas noites anteriores, como sempre estava sozinho deixava minhas roupas bagunçadas e naquele momento, especificamente, notei que algumas - quatro camisas e quatro calças, especificamente - estavam muito amassadas, rasgadas. Não encontrava um par de sapatos dos quatro que eu havia levado, minha salvação foi uma pequena sacola reserva que havia levado, dentro desta uma tinha uma troca de roupa para alguma emergência e ainda um único par de sapatos. Foi bastante providencial.
                        Faltavam poucas horas para meu embarque de volta, aproveitei para ajeitar algumas coisas e fui para o salão de refeição, pois a noite logo chegaria.  Aquelas roupas rasgadas e irreconhecíveis ficaram em um saco que foi para o lixo, até pensei em perguntar para as camareiras sobre elas, mas não achei importante e preferi descartá-las. Já no salão o assunto voltou a ser o misterioso monstro, as imagens que tinham e comentavam eram as mesmas, uma grande mancha escura, sem forma e com pés enormes. Como saber direito daquela história se não tinha nenhuma lembrança? Sei que aquelas pessoas estavam ali e comentavam sobre o assunto com muita veracidade na voz. Mais intrigante era saber que o mesmo local por onde todos estavam e frequentavam era o mesmo onde eu também estava e não conseguia ter a mesma recordação que tantos afirmavam com convicção e clareza. Sempre diziam que o monstro, ao mesmo tempo em que ia ao encontro das pessoas, estava longe de todos e esboçava reação de medo. Era amedrontador. Entre um comentário e outro percebi que havia um plano para capturar esse tal pezão, alguns grupos tinham comprado enormes redes e esperariam em locais adequados pelas redondezas para tentar surpreender o monstro.
                        O tempo foi passando e a hora de ir embora chegou, voltei ao quarto ainda impressionado com tudo o que tinha ouvido e acreditando que se tratava apenas de comentários, uma história que criaram e se propagou, assim como aquelas antigas. Já dentro do quarto tive que correr para arrumar as malas, pois nem percebi que de tanto ouvir as pessoas as horas se passaram e, caso eu não me apressasse, iria perder o ônibus que me levaria de volta ao porto da cidade para a partida do navio que levaria todo o grupo de volta para casa. Arrumei uma mala e notei que outra ficou pela metade, quase vazia, me lembro de quando cheguei e que as duas estavam cheias. Havia ainda uma sacola de mão. Olhei novamente pelo quarto, por dentro dos armários e estava tudo certo com a bagagem. Já com as malas nas mãos e perto da porta para deixar o quarto visualizei, em baixo da cama, a ponta de um cadarço meio que escondido, puxei o mesmo e levei um susto quando junto com ele apareceu o esboço de um calçado meio que rasgado, destruído. Com os joelhos no chão abaixei para ver melhor por baixo da cama, quase não havia espaço até o meio, além daquele cadarço pude ver e tirar dali algumas peças de roupas rasgadas e uns sapatos totalmente destruídos, irreconhecíveis, parecia que uma bomba havia sido estourada dentro deles ou que foram muito forçados para serem usados. Mas, alguns detalhes os faziam parecer com os meus, aqueles que, não sei como, haviam desaparecido antes. Rapidamente, para não perder a hora do embarque, coloquei-os no espaço daquela mala que estava mais vazia, dei uma última olhada pelo o quarto e saí pela porta deixando o local. Já era noite, no transporte até o porto os comentários ainda eram sobre o pezão, pelas paradas se notava que a mobilização para pegar o monstro estava grande. Estiveram bem perto, mas neste momento eu sabia que jamais o pegariam.
                        Não sei por que, mas eu estava bem mais tranquilo devido aos últimos acontecimentos no quarto. Os vestígios estavam em uma das minhas malas e me convenciam que os meus pés é que rasgaram aqueles sapatos e me transformaram no monstro dos pés grandes.
                        Macau ficou para trás com suas luzes, belezas e histórias que tanto me aproximaram da realidade.

Gilberto - 21/01/17.