segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

COMPRAS

 

Compras


Dia ensolarado. Andando pelas ruas cheias não conseguia pensar e entender tanto movimento. Pessoas iam e vinham sem mostrar um destino certo.

Não reconhecia o tamanho vai e vem. Gente por todo canto e não via o rosto de ninguém. Todos passavam muito rapidamente. Meu único pensamento era me encontrar entre tantos passos e diferentes ambições. Às vezes eu corria e em outros momentos sentia uma sombra e passos atrás de mim, mas só conseguia ver o que estava à minha frente, tudo o que estava ao meu lado refletia imagens desfiguradas e irreconhecíveis. No meu pulso havia um relógio, mas sem mostrar hora parecia mais um adorno sem utilidade. Pessoas sem definição de olhar somente se incomodavam em adquirir os mais diferentes produtos, tudo o que tinha pela frente era consumido como se não fosse existir mais.

Em um relance tudo parecia ir se normalizando. O impulso de uma perspectiva de consumo traz mudanças na rotina das pessoas e alteram suas ações, se esquece de viver em uma sociedade saudável em que a preocupação deveria ser com o eu e com o outro. Movimentações que influenciam nas ações e reflexões de vida e de todo seu cotidiano. Portanto, é certo que há o dever por condições e olhares à igualdade e ao respeito com a vida e com o que cada um tem de melhor à sua vivência. Um problema da sociedade em todos os tempos, mas que na atualidade cresceu e nos leva a tristes momentos.

Gilberto - 12/12/2022.

domingo, 11 de dezembro de 2022

SER E SER PROFESSOR

 

Ser e Ser Professor

Sempre ouvi dizer que ser Professor é uma missão, uma virtude. Percursos se fizeram, se transformaram e cheguei à conclusão que, ser Professor, é muito mais do que isso.

O Ser Professor acredita a todo instante, não desiste e está sempre à disposição, afinal ele sabe que, desde o sair de casa, vai encontrar sua Turma o aguardando, esperando por algo que, muitas vezes, nem ela acredita, mas que sabe que este Ser em questão vai lhe oferecer. E olha que nem trato aqui das utopias e expectativas vividas, das decepções, do desânimo em meio às muitas dificuldades e provações que, tantas vezes, desviam possibilidades e tentam o enfraquecer. Do mesmo modo não creio que, apesar de sua força, que o Ser Professor é uma fortaleza, suas fragilidades são aparentes, certo é que em muitas ocasiões  não deixa transparecer, nem tampouco se distancia de seu ideal em mediar situações e conhecimentos que nem sempre estão em acordo com seus vislumbres. É, Ser Professor não é aquele que tem uma profissão, ao contrário, tem duas, três, quatro...

Arrisco a dizer que este Ser olha, e nem tem essa percepção, mais para o outro do que para si mesmo. Um olhar mais voltado ao outro. Assim, o Ser Professor segue em crescimento constante. É ano que termina, é outro ano que chega. E não venham me dizer que este Ser se reinventa, vai além disso, ele cria mais do que transforma, porque seu produto é a educação e a possibilidade de transformar o indivíduo e a sociedade.

O Ser Professor é algo que  somente quem é, ou foi, pode sentir e falar. Ser Grandioso.

 

Gilberto – 12/12/2022.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

SEM DIFERENÇAS. SONHOS QUE NÃO SE PERDEM


Sem diferenças. Sonhos que não se perdem

Igualdade, liberdade e reconhecimento nascem com a pessoa. Desta forma, acreditar em uma vida justa para todos sempre foi o pensamento da pequena Lana. Contudo, visões despropositais se faziam presentes desde cedo. Realidade acentuada e vivida.
Em cada acontecimento se reforçava, cada vez mais, a vontade por uma vida digna, sensata e com melhores condições para se viver a toda sua família e também para as pessoas que conhecia. Mesmo com dificuldades conseguia ver esperança e vislumbrar um futuro baseado na verdade e na uniformidade às pessoas. Não conseguia entender porque tantas diferenças, mas confiava em mudanças e seguia entre percursos que mal sabia como lidar e que a fazia emadurecer e sem se contradizer ao que presumia. Vidas desumanas.
Luquinha era seu grande amigo, tinham a mesma idade e também as mesmas características de vida, muitas dificuldades e relacionamento conturbados com seus pais. Era muito brincalhão e sorridente. Sempre que podiam brincavam juntos e compartilhavam o mesmo desejo de ajudar a outras pessoas, apesar de crianças sonhavam com estes momentos. Em uma tarde os dois vinham juntos da escola e encontraram os pais de Lucas na rua perto de casa, os dois discutiam, se ofendiam e sobrou até mesmo para Lucas que levou um tapa do pai e foi obrigado a ir para casa, chorando mostrava medo e insatisfação com toda aquela situação. Lana foi para casa, eram quase vizinhos, mas o que ela não sabia era que aquele momento em que viu Lucas chorar, devido aos seus pais, era o último em que o veria. Os pais de Lucas não se entenderam mais, cada um foi para um lado e deixaram a casa sem despedidas e avisos. Lucas e a mãe seguiram rumo a outra cidade para a casa dos avôs, distante, sem deixarem vestígios. A Lana coube lamentar e seguir com seus sonhos e saudades do inesquecível amigo.
Tantas contradições e os dias seguiam. Na escola mostrava alegria, mas percebia que muitas situações se repetiam e não eram diferentes da sua, dificuldades e tratamentos longínquos à felicidade e a um sorriso verdadeiro e de alegria. Além das muitas dificuldades a fome era o que mais a preocupava e fazia pensar em soluções, a família era um porto a ser alcançado e; mesmo olhando à sua e a tantas outras de colegas da escola não desistia, sabia que as necessidades poderiam trazer uma realidade além do pensamento e dos discursos. Em muitos momentos não entendia o motivo e os porquês de estar ali entre tantas crianças e histórias que se tão diferentes e outras tão iguais, foram justamente essas diferenças que plantaram esperanças e considerações quanto ao direito e à igualdade. A fome, o abuso de poder, a violência, o desrespeito à pessoa humana cerceavam a garantia do que se queria como dignidade, nada mais se almejava e se pensava além de justiça e de uma realidade verdadeira longe de discursos que fugiam ao que considerava certo. Vida sem limites ao direito de cada um.
Já na adolescência uma luz, aliás começou ali o gosto pelo Direito e por todos os assuntos relacionados. Enxergou o que tanto pretendia, a igualdade e o mesmo tratamento para todas as pessoas, tanto para àquelas que conhecia como também àquelas que sabia que não tinha qualquer forma de contato, mas que poderiam, também, se igualarem em conquistas e direitos voltados à cidadania e à coletividade enquanto cidadãos. Percebia tão cedo o direito como condição de vida, algo que parecia tão simples, porém sempre buscava explicações para o distanciamento entre o que queria e a dura realidade de violência nas famílias, de fome e de vida indigna a muitos seres humanos. Dessemelhanças evidentes e um grande sonho efervescente.
De um lápis à moradia, do lazer ao trabalho, das dificuldades em frequentar a escola ao cuidar da casa e dos irmãos. Um episódio marcante, entre tantos outros, foi o pé enfaixado -  nem tão bem enfaixado assim -, mas que escondia a triste realidade em ter a vestimenta básica. Assim ia para a escola, muitos fatores que se estabeleciam, mas que não deixavam os sonhos e as vontades de lado.
A menina cresceu. Na adolescência o incentivo do professor a fez se apaixonar, ainda mais, por assuntos do curso de Direito, nasceu uma grande inspiração e ideias que se fortaleceram com o passar dos anos. Com muito empenho passou por todos os momentos da educação básica, o curso Direito, no ensino superior, continuava sendo o melhor alvo a conquistar. Inicialmente, devido às dificuldades em ingressar em uma faculdade seus olhos se elevaram ao curso de formação ao Magistério, apesar de certa distância entre os objetivos do curso que realmente queria viu neste curso a oportunidade em estar próxima das pessoas e principalmente da formação infantil. As dificuldades foram grandes e os quatro anos de curso só fortaleceram ainda mais a vontade por uma vida mais justa e mais digna. Mais quatro anos e se formou, também, como pedagoga. Estava disposta a seguir reclamando pelos seus propósitos. Na escola, agora como professora Lana, aprendeu muito sobre o relacionamento humano e viu a importância que o professor tem à formação do aluno. Durante alguns anos lecionando se deparou com uma grande oportunidade e alegria, algo que sempre esteve presente em seu percurso e que jamais esqueceu: cursar Direito em uma faculdade em sua cidade. Passaram-se mais quatro anos, cada disciplina, cada professor, cada colega de curso teve grande importância. Um professor em especial foi muito marcante pela ocasião, recordaram com carinho, afinal, Lana, lá em início de carreira como professora, havia sido sua professora. As ordens se inverteram.
Lana lembrava de cada momento da sua infância, das dificuldades, das injustiças e das indiferenças do passado. Conciliar trabalho e estudos não foi tarefa fácil, mas foi um desafio a ser vencido, tempo, família e percalços do cotidiano se conciliaram e o grande dia de formatura finalmente chegou. A agora doutora Lana avistava todos os propósitos de tempos atrás.
Trabalhos intensos e a dedicação às ações civis, principalmente aquelas relacionadas à dignidade da pessoa e da família, mostravam que todos os sentimentos por justiça e igualdade trouxeram bons resultados, o passado não pode ser mudado, mas com certeza influenciou muito no presente e trouxe justiça e condições de igualdade para muitas pessoas atendidas pela então doutora Lana. Estar presente em audiências, em muitos casos voluntários, em defesa da família, da criança e do adolescente, eram momentos não somente de trabalho, mas também de grande prazer pessoal e intransferível. Uma oitiva, realizada no fórum de sua cidade foi extremamente marcante. Era para ser mais um caso de uma criança injustiçada pela família - abandono, violência, maus-tratos -  e que, com certeza, a conclusão seria favorável a esta. Os jurados já haviam se manifestado, na sala o juiz auxiliar já lera todo o desfecho e aguardava apenas a entrada do juiz titular para proferir a sentença, este entrou à sala e após todos os cumprimentos e tratos formais parabenizou veemente à advogada da parte interessada, doutora Lana, pela dedicação e adorável luta à causa da criança e do adolescente. Abaixo do local onde se encontrava o magistrado, mesmo de um ponto meio distante, a Doutora Lana acompanhava tudo atentamente, agradeceu à vossa excelência, porém, diante mais de uma causa triste não percebeu a aparência e nem os gestos daquele juiz, somente ao final de tudo quando foi cumprimentá-lo pessoalmente, uma praxe daquele tribunal, é que leu a placa com os dizeres ‘Lucas de Assis dos Santos - Juiz Titular’. Neste momento, parte de toda sua infância veio à mente, reencontrou ali seu grande companheiro do passado, da escola e da rua onde morava, o amigo Luquinha, que o destino os distanciou, mas que os anseios e os objetivos da vida os reaproximou. Em meio a choros, diferente daquele do passado, ficaram muito felizes com aquele momento. O sorriso do Luquinha, agora vossa excelência, continuava o mesmo. Muita alegria das duas partes pelo significativo reencontro.
Deste momento muitas risadas, alegrias e fortalecimento de amizade se fizeram. Todos aqueles projetos, ora anteriormente considerados, puderam se tornar reais e beneficiar muitas pessoas.
O acreditar realmente pode fazer a diferença.

* Texto baseado em fatos parcialmente reais.
* Dedicado à cônjuge, pelo empenho e dedicação ao longo do curso ora finalizado.

Gilberto - 15/11/2019.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

COMO O X-SALADA

Como o x-salada


Final de ano chegando e a turma da escola ia se programando para uma festa de encerramento. Bolo, suco refrigerante, salgados e outros pratos entraram na lista a ser providenciada para o dia. Pela empolgação vista uma boa comemoração estava por vir.
Cada aluno da turma, dentro de sua limitação, achou um motivo para participar e ter aquele momento como algo especial à sua vida, uns deixariam a escola naquele final de ano, outros mudariam de curso e ainda tinha aqueles que, mesmo com tamanho incentivo, pareciam não querer continuar os estudos no ano seguinte. Ainda faltavam alguns dias e algumas obrigações a serem realizadas. A animação era grande, mas sem a finalização de alguns conteúdos e algumas notas a serem alcançadas poderia haver certa frustação ao chegar no dia combinado para o evento. Conforme o tempo ia passando ia ficando claro a dedicação e a vontade de todos para que o dia tão esperado chegasse logo. Certo dia, para ver como andavam os preparativos, perguntei ao alunos como estava a organização para a confraternização final, percebi muita animação e ouvi, novamente, a repetição de tudo o que trariam para comer, para não ficar de fora disse ao grupo que também traria lanches, provavelmente x-salada, para todos, claro que acharam bom e ficaram ainda mais ansiosos. Naquele dia, ao final da aula, um fato me chamou a atenção, uma aluna que sempre participava de todas as atividades e que estava empenhada para a festa me esperou e disse que queria perguntar algo, mas estava com um pouco de vergonha, pois percebeu que somente ela no grupo não sabia o que era o lanche que eu havia dito que traria para o último dia de aula, me perguntou o que era um x-salada e quis saber todos os seus detalhes: como era feito, o que tinha dentro dele, como era o pão, qual o seu tamanho. Até quis rir, mas pela seriedade como ela se colocou, apenas deixei suas palavras na minha mente e com tranquilidade dei as respostas que ela queria, não estava acreditando que uma pessoa adolescente, na época que estamos, não soubesse o que era um x-salada. Disse que no dia da festa o primeiro lanche seria dela.
Dias que se passaram, sala de aula enfeitada, som musical ambiente, muita alegria e diversão espalhadas. As guloseimas? Tinham muitas e caprichadas. Cheguei da lanchonete e fui direto ao centro da mesa onde havia uma variedade de pratos deliciosos, coloquei ali uma bandeja cheia de lanches e, como dito anteriormente, fiz questão de levar, discretamente, até a aluna que tinha dúvidas, um x-salada.
Uma grande alegria e surpresa em perceber que algo tão comum ainda era uma descoberta para alguém. Assim, como um x-salada.

Gilberto - 15/01/2019.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

COM VOCÊ


Com Você



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          Esperança sempre. Desejos e vontades de um grande amor que está por vir.
         Todos os dias a mesma rotina: trabalho, casa, casa, trabalho. Assim as horas se passavam, manhãs e noites ficavam para trás, mas a visão acinzentada à frente dos olhos logo se esvairia e a alegria e o colorido da paixão estaria em pleno fervor. Um primeiro momento desconfiado, tantas palavras e sentimentos agora voltados à timidez, mas, é claro, que prevalece é aquilo que se quer, que se deseja e que traz felicidade, nem que seja por uns minutos, pouco tempo que traz emoções e grandeza à vida.
           Desde que se fez presente o sorriso voltou a aparecer, o desejo de reencontros constantes trouxe a graça, pensar nela a todo momento, no seu cheiro, na sua boca, em uma companhia agradável, envolvente e prazerosa. Caminho para um mundo novo, mais bonito e mais cheio brilhante. Esse conhecimento poderia ter sido antes, talvez o destino assim não quis, quem sabe quis guardar as coisas especiais para momentos especiais que fortalecem a vida e engrandecessem a alma.
            Não sei de que forma, mas ele chegou. Puro sentimento de estar próximos. A cumplicidade fortaleceu laços e mostrou, em gestos e em palavras, as necessidades de cada um. Um colorido caminho que agrada e faz fluir felicidade. Aliás, ser feliz é estar ao seu lado, um vínculo de afeto e de encontrar razão para estar perto, juntos pelo enternecer. Vontade constante, emoções constantes adiante, tudo por alguém que apareceu, encantou e trouxe novos significados.
            É, esperança sim. Algo que não se pode perder mais, que não se pode magoar, pois transforma a vida, sempre. Quero esse amor.


Gilberto - 12/04/2018.



sexta-feira, 30 de março de 2018

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Mudança de Comportamento


Léo era um menino que não ligava para nada. Mas, um dia, de tanto sua e ficar brava e brigar, ele pensou que poderia mudar e começou pelo seu quarto. 
Seu quarto era muito bagunçado, tudo jogado, empoeirado e tudo que se procurava não se achava. Agora ele queria mantê-lo limpinho e organizado. Às vezes, ele até pensava em arrumar tudo aquilo, porém a preguiça e a vontade de não fazer nada eram grandes e não deixavam. 
Naquele dia ele havia acabado de acordar e decidiu que tudo ia ser diferente. Começou guardando os muitos brinquedos que estavam espalhados, muitos estavam quebrados e nem dava para usar mais, foram para o lixo, alguns foram guardados e outros Léo resolveu colocar em um saco para doar a outras crianças da rua. Foram três sacos cheios de brinquedos em boas condições. Na parte da manhã fez somente isso, mas foi demorado, pois limpou tudo que estava por ali e ainda tirou a poeira de todas as prateleiras. 
A mãe de Léo já tinha percebido que ele estava arrumando as coisas, mas não quis se intrometer para não atrapalhar no que nle estava fazendo, nem acreditava que tudo aquilo daria bom resultado. Quando ela chamou Léo para almoçar viu que ele estava mesmo empenhado, pois Léo comeu e voltou rapidamente à arrumação  
A mudança que ele tanto queria fazer tinha, também, a ver com visitas que ele fazia à casa de outros amigos, sempre achava que seus quartos eram mais organizados. Era também porque sua mãe sempre ficava triste com a bagunça que ele fazia. Percebeu, assim, que para ser organizado dependeria dele mesmo e que tudo iria mudar se ele também mudasse. O quarto de Léo ficou muito bonito. 
Os dias se passaram e o novo pensamento de Léo refletiu também em sua vida fora de casa. Na escola as notas melhoraram e ele estava bem mais próximo das pessoas. Sua determinação o fez acreditar na realização de muitas coisas que pareciam difíceis, que poderia tentar mudar sempre, principalmente quando o desânimo quisesse aparecer em momentos difíceis. 

Gilberto - 30/03/2018.


A HORTA

A Horta


Era uma vez uma linda menina que, com sua mãe e com sua avó, tinha uma bonita horta. Tudo o que precisavam plantavam e colhiam naquele lugar que lhes trazia muitas alegrias. 
A maior parte do tempo, quando estavam em casa, dedicavam horas ao cultivo. Enquanto a mãe preparava a terra, sua avó jogava as sementes e a menina as cobria de terra. Assim começavam o dia e depois iam tomar um gostoso café. 
A menina começou a estudar de manhã e tudo ficou mais corrido e complicado. Naquela manhã o trabalho na horta foi demorado e a mãe estava com dificuldades para buscar a menina na escola, pensou em pedir para a avó, mas esta já tinha dificuldades de andar, nem mesmo a comida a avó conseguia fazer mais. Logo, a mãe teve que correr muito, mas conseguiu preparar o almoço e ir buscar a filha. 
Quando a mãe chegou na escola a professorar disse que a menina já havia saído, há pouco tempo, com um homem que apareceu lá e disse que era seu pai. A mãe ficou desesperada e saiu correndo, um pouco mais à frente encontrou os dois andando, sem pensar muito puxou a menina para seu lado e foi para longe daquele homem. Rapidamente chegaram em casa e explicaram tudo à a. As duas perguntaram à menina se ela estava bem e ela disse que sim. Ao olharem pela janela avistaram aquele homem olhando para dentro e a linda horta ao fundo. A menina perguntou à mãe se aquele homem era mesmo seu pai, a mãe disse que sim, mas não tinha contato com ele há muito tempo e que ele as abandonou quando ela tinha nascido. 
 A menina entendeu e quando olhou novamente pela janela viu somente verduras e legumes brilhando. O homem não estava mais lá, mas ela sabia que novas alegrias viriam pela frente, pois conheceu seu pai e; certamente, voltariam a se ver novamente, assim como via a bonita horta pela janela. 

Gilberto - 29/03/2018.