segunda-feira, 29 de julho de 2013

MARCAS DA VIDA


Marcas da Vida.


                        O que se busca na vida está além das expectativas. Acredito que está nos encontros que, mesmo sorrateiros, nos confrontam, constroem e nos transformam. Uns agradáveis, outros nem tanto, porém dignificam-se aqueles que marcaram e ajudaram nos significados da vida.
            Melhor ainda quando as qualidades se juntam. Surge um resultado com muita alegria, diversão e troca de experiências através das ações de cada um. Os obstáculos são muitos: pontes a serem atravessadas, enfrentamento de tigres e dragões, montanhas a se escalar, viver situações inusitadas e com os maiores “micos”... Conhecer novas pessoas vai leva ao longe, dá certo receio, mas ajuda a solidificar melhor o que ainda há por vir.
            Sonhos a cada instante. Podemos ser heróis, princesas e príncipes encantados.  Conhecer novos caminhos, seus mistérios e curiosidades fazem muito bem. Voltamos no tempo, voltamos a ser criança. É a força que se tem quando se está junto com alguém.
            “O valor das coisas não está no tempo em que duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Sábio o escritor, porque se fez exatamente assim. É sempre bom pensar assim, o ser humano acima de tudo, por mais que se corra que se compita, devemos enxergar a valorização em nossos semelhantes.
             É fato que tudo, tudo pode acontecer se juntarmos forças. Sozinhos realizamos, juntos realizamos mais.

Gilberto - 29/07/2013.

sábado, 13 de julho de 2013

UMA HISTÓRIA DA NOITE NO DIA


           Uma História da Noite no Dia.
           Aquele era um dia diferente e eu estava longe de casa. Quantas pessoas andando pelas ruas em um vai e vem incessante. Parecia muito com os ambientes de historinhas que me contavam quando criança.     
            Cheguei a encontrar alguns conhecidos que indagavam que iriam logo para casa, pois naquele dia, segundo estudos astrológicos, uma horrível criatura apareceria antes do pôr do sol. O tempo ia passando cada vez mais rápido e pessoas apressadas estavam por todo lado, aos poucos muitos espaços iam se formando pelas calçadas e ruas que, horas mais tarde, já estavam quase desertas.
            Diante de tanta incerteza me dava até calafrio pensar em como seria essa horrível criatura. Tamanho gigante, pelos pelo corpo todo, dentes grandes, olhos vermelhos, rosnar assustador... Sei lá, cada vez que eu pensava e imaginava uma formação diferente. Agora somente eu na rua e o dia quase se pondo. Todos se esconderam, eu sem rumo certo e com receio do que viria ao por do sol, talvez nada acontecesse sob mais essa expectativa exagerada de crença do povo.
            Parecia um passe de mágica, neste momento eu já começava a ouvir vozes e algumas pessoas já podiam ser vistas pela rua, provavelmente notaram que a previsão não se cumpriria e decidiram voltar aos seus afazeres. A movimentação, a poucos minutos do final do dia, era a mesma dos dias comuns, porém a fisionomia das pessoas era diferente: rostos escurecidos, olhos brilhantes, a pele parecia recoberta de piche e rosnavam feito tigre em fúria. Eu não entendia como, mas os corpos iam se entrelaçando e uma nova criatura ia se formando, maior e mais forte, bem de acordo com as características que ora antes estavam em minha mente. Somente eu resistia em fazer parte de tudo aquilo, mas uma hora não teve como evitar, meu corpo também foi de encontro ao que parecia ser uma enorme criatura das lendas e dos sonhos misteriosos.
            Realmente eu estava longe. Parecia até ser uma criança que, atentamente, ouvia certas histórias e prenúncios que de fato se realizariam.

            Gilberto - 13/07/13.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

APRENDIZAGEM


Aprendizagem.


            Interessante o universo da criança. Brincadeiras e interatividade que marcam uma fase da vida e se fazem importantes ao crescimento, tanto cognitivo quanto motor. O prazer em aprender é fantástico.
            Acompanhando certas atividades se nota como este universo é rico e abrangente. Há enorme clareza em momentos de atenção, de buscas e de interesses cada vez mais subjetivos às necessidades infantis. Ah, também tem as peraltices, mas é por meio de todo esse conjunto que se aprende e que se ganha em organização e disciplina, que se consegue caminhar à superação das dificuldades de ensino. Que bom se toda educação fosse vista desta forma, com certeza seria enxergada com mais valor e autonomia. Aliás, a autonomia, é exatamente ela que buscamos na vida, mas só vamos entendê-la se ao menos tentarmos levá-la às pessoas que convivemos e que educamos no dia a dia. Por isso é fato que a educação começa logo cedo. Atentemos a isso.
            Já se foi o tempo que a educação formal se dava puramente em uma sala de aula, com uso de caderno, lápis, caneta, professor e tudo mais. Educação é o agora, é o ambiente, é o compartilhamento. São as novas vivências que transformam, criam e recriam novas pessoas, em qualquer idade. Eis o foco da verdadeira aprendizagem. Claro que tudo tem seu sacrifício e, se existe quem aprende, obviamente há um transmissor. Aqui entra um ponto crucial na educação: ver a criança em formação e que pode ser plenamente orientada e que alcance o sucesso almejado em quaisquer objetivos do ensino.
            Recordação dos tempos da infância. Muitos educadores deveriam voltar a esse passado para que entendessem a atualidade de uma dinâmica que mudou e requer atualização, nem se considera aqui as novas tecnologias ou novas configurações sociais, estes são outros assuntos importantes e que influenciam, demasiadamente, a sociedade. Entenda-se a necessidade de situar o aluno, desde pequeno, no seu mundo e que precisamos urgentemente valorizar esse lado, das diferentes vivências, dos novos significados e do entendimento de valores.
            Ver um sorriso, um choro e o tanto que estes pequeninos dependem de nós, educadores, nos idealiza mais do que adultos, do que professores; simplesmente nos faz formadores de gente que vai crescer e entender melhor o seu meio, a sua realidade e, principalmente o tão esperado e que se tanto se almeja: que os transforme para uma melhor sociedade.

Gilberto - 10/07/13.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O DONO DA BOLA


O Dono da Bola.


            Eram momentos de muita emoção. Encontrar aquele senhor no parque retratava todos os sonhos de criança e comigo não era diferente.
            Hoje, trinta e dois anos depois, ver em meu filho toda aquela empolgação do passado me faz muito bem, resgate de uma infância à qual meu pai sempre falava do seu avô que, por suas palavras, certamente gostava de futebol. Quadros, troféus, medalhas pelos cantos e reportagens pelas paredes afirmavam isso. Hoje, apesar tudo mais velho e um pouco empoeirado se tornou mais claro entender tudo o que eu vivi com aquele senhor de tempos atrás, o carinho, o jeito calmo de falar, o bom porte físico e o carinho nas orientações com a bola foram marcantes. Mas, de repente ele sumiu e eu até perguntava ao meu pai sobre aquele homem e, por vezes, não entendia quando ele falava que tudo era brincadeira, coisas da minha idade pela empolgação com o futebol. Não sei exatamente quando, mas perdi o contato com aquele homem ainda na infância quando comecei a entender e me interessar um pouco pelos mistérios da bola.
            Minha relação com o esporte vem de muito longe, tenho fotografias que me retratam ainda no berço e segurando, ou pelo menos tentando agarrar, uma bola de futebol. Algumas outras mostram belas imagens, a bola sempre presente, seja no quintal, na sala de estar, na escolinha... Já na adolescência e também treinando em escolas especializadas um fato me chamou a atenção naquelas imagens de criança, a bola era sempre a mesma, meu pai nunca me falava dela e também eu nunca perguntei ou me interessei, mas agora é diferente e olhando a brincadeira, agora como pai, surgiram algumas indagações e muitos momentos vieram à minha cabeça.
            Nunca consegui visualizar perfeitamente o rosto daquela pessoa misteriosa, às vezes o dia estava lindo, sem nada que pudesse atrapalhar minha visão, mas o rosto e o sorriso daquele homem eram sempre recobertos por uma névoa, ele até falava, gargalhava e interagia em uma brincadeira que parecia gostar muito. Só fui me dar conta desses detalhes depois de muito tempo.
            Quando estreei em um importante time profissional me sentia muito confortável naquilo que fazia. Já conquistei diversos títulos e glórias e sempre me lembro de boas jogadas desde a época de criança. Como a brincadeira é importante na vida da criança! Se hoje estou bastante maduro tenho a certeza de que não posso desprezar o passado.
            Festa de mais um título e todos felizes em casa. Meu pai resolveu abrir umas caixas antigas para rever e mostrar alguns materiais que passaram pela minha vida. Tinha muita coisa: camisetas e uniformes antigos, cartas de fãs, tênis velhos e meias que mal cabiam, se quer, nos dedões dos meus pés. Em umas das caixas uma surpresa para mim, a bola, aquela mesma bola de criança ali, no fundo da caixa e igualzinha àquela da minha lembrança. Uma marca desconhecida e as cores pareciam as mesmas, os detalhes dos riscos, umas marcas de chuteira, tudo aquilo era bem peculiar. Meu pai perguntou se eu me lembrava dela, meio espantado disse que sim e somente neste momento consegui montar toda uma história. Meu bisavô foi um grande jogador, confesso que tinha certo conhecimento, mas nunca tive muita informação sobre ele, nem fotografias havia mais, somente uma tirada no dia em que ele ganhou um título regional, algo bem amador e que recobria um grande craque, de bons toques e de muitos clubes. Aquela bola ele guardou como recordação deste jogo e no dia seguinte desta conquista veio a notícia de um mal súbito que entristeceu toda a família, um infarto agudo tirou sua vida, sorrateiramente.
            Essa foto veio como uma flecha em meu pensamento. Aquele mesmo porte físico e sorriso alegre em um rosto agora bem visível. Era aquele mesmo homem de criança e que me fazia brincar alegremente com a bola.
            Agora não havia névoas e interrogações. Agora um rosto nítido e que eu não via quando criança. Um senhor que somente eu encontrava.
             Gilberto - 04/07/13.

domingo, 30 de junho de 2013

CONTINUAMOS OS MESMOS...


Continuamos os Mesmos...


            Interessante o universo humano. Mesmo com toda sua evolução, tanta tecnologia, diferenças sociais e culturais uma coisa é certa: os fatores sentimentais e biológicos não se alteram.
            Quase duas décadas de profissão. As lembranças iniciais são de alunos agitados e dependentes social e culturamente. Fazendo uma comparação com a atualidade vejo que as necessidades são muito idênticas, a busca faz com que a aprendizagem se efetue e a ansiedade se torna comparável. Ansiedade, ela mesmo, companheira que por vezes é tão criticada por sintomas prejudiciais e aparentes dentro de um universo subjetivo e; por vezes, pouco compreendido. A vastidão de seus sintomas é muita. Por outro lado a importância da escola e de seus componentes curriculares sob suas orientações e intervenções de seus profissionais. Quantas novidades na idade infantil, quantas descobertas na adolescência e que podem culminar e transformar a vida adulta. Quanta responsabilidade.
            Mas fatos recentes trouxeram de volta aquelas “lembranças iniciais”. Um aluno, lá pelos anos noventa, ao participar de uma competição trouxe um foco diferenciado à questão de vivências e expectativas. Era uma sexta-feira e seguimos com um grupo de oito alunos, com idade entre onze e treze anos, para uma competição de xadrez em uma cidade do litoral paulista. Tudo acertado e o inesperado, uma tremenda cólica e diarreia em um dos integrantes durante todo o percurso e que, literalmente, foi sentida por todos que estavam no transporte. Entre preocupações e contatos com os responsáveis uma coisa ficou certa, a tal ansiedade. Entenderam-se ali muitos de seus fatores e manifestações. O advento foi batizado como Síndrome do Xadrez.
            O tempo passou e com ele a compreensão do tema se tornou cada vez mais comparável a acontecimentos e fatos já vividos. Por esses dias, um pai colocou que a filha só falava em uma atividade que teria mais para frente e vivia contando os dias no calendário até o dia do evento e perguntou o que fazer diante de tanta apreensão. A resposta: analisar e ter um diálogo positivo, compreensivo e responsável, sem cobranças e sem fuga do assunto.
Hoje vejo alunos que têm os mesmos sintomas daquele aluno do xadrez, lembra? Vejo também que a orientação do professor e dos pais é muito importante nestes momentos, seja na escola, no esporte, nos passeios, nos presentes ou por quaisquer outros fatores. Não deixemos que tudo isso se transforme em medo ou aspectos que possam prejudicar o organismo ou a vida social do aluno.
Fato é que biologicamente somos os mesmos, as causas biológicas não mudam e o entendimento deve continuar o mesmo e em qualquer época.
Síndrome constante do xadrez em nossas vidas.
Gilberto - 01/06/13.

SAUDADE



Saudade.


É o sentimento de um momento que não se repete.
 Por mais que se tente, não se consegue.
Por isso magia, dor em flor. 
Pura e pessoal. Por tudo, esperança de amor.


                                       Gilberto - 30/06/13.