Continuamos os Mesmos...
Interessante o universo humano.
Mesmo com toda sua evolução, tanta tecnologia, diferenças sociais e culturais
uma coisa é certa: os fatores sentimentais e biológicos não se alteram.
Quase duas décadas de profissão. As
lembranças iniciais são de alunos agitados e dependentes social e culturamente.
Fazendo uma comparação com a atualidade vejo que as necessidades são muito
idênticas, a busca faz com que a aprendizagem se efetue e a ansiedade se torna
comparável. Ansiedade, ela mesmo, companheira que por vezes é tão criticada por
sintomas prejudiciais e aparentes dentro de um universo subjetivo e; por vezes,
pouco compreendido. A vastidão de seus sintomas é muita. Por outro lado a
importância da escola e de seus componentes curriculares sob suas orientações e
intervenções de seus profissionais. Quantas novidades na idade infantil,
quantas descobertas na adolescência e que podem culminar e transformar a vida
adulta. Quanta responsabilidade.
Mas fatos recentes trouxeram de volta
aquelas “lembranças iniciais”. Um aluno, lá pelos anos noventa, ao participar
de uma competição trouxe um foco diferenciado à questão de vivências e
expectativas. Era uma sexta-feira e seguimos com um grupo de oito alunos, com
idade entre onze e treze anos, para uma competição de xadrez em uma cidade do
litoral paulista. Tudo acertado e o inesperado, uma tremenda cólica e diarreia em
um dos integrantes durante todo o percurso e que, literalmente, foi sentida por
todos que estavam no transporte. Entre preocupações e contatos com os
responsáveis uma coisa ficou certa, a tal ansiedade. Entenderam-se ali muitos
de seus fatores e manifestações. O advento foi batizado como Síndrome do
Xadrez.
O tempo passou e com ele a
compreensão do tema se tornou cada vez mais comparável a acontecimentos e fatos
já vividos. Por esses dias, um pai colocou que a filha só falava em uma
atividade que teria mais para frente e vivia contando os dias no calendário até
o dia do evento e perguntou o que fazer diante de tanta apreensão. A resposta:
analisar e ter um diálogo positivo, compreensivo e responsável, sem cobranças e
sem fuga do assunto.
Hoje vejo alunos que têm os mesmos
sintomas daquele aluno do xadrez, lembra? Vejo também que a orientação do
professor e dos pais é muito importante nestes momentos, seja na escola, no
esporte, nos passeios, nos presentes ou por quaisquer outros fatores. Não
deixemos que tudo isso se transforme em medo ou aspectos que possam prejudicar
o organismo ou a vida social do aluno.
Fato é que biologicamente somos os
mesmos, as causas biológicas não mudam e o entendimento deve continuar o mesmo e
em qualquer época.
Síndrome constante do xadrez em nossas
vidas.
Gilberto - 01/06/13.
Nenhum comentário:
Postar um comentário