Já
era Hora.
Não
sei o quanto aquelas pessoas sentiam-se felizes. O tempo passava e tudo o que
se notava eram sorrisos e gargalhadas dentro daquele quadrado azul cheio de
água. Estava muito próximo e a vontade de compartilhar e viver tudo aquilo era
enorme. Em algum outro momento já havia vivenciado aquilo também.
O
som das folhas de alguns coqueiros se contrastava com o cantar de alguns
pássaros que sempre apareciam no local, eram comuns, mas encantavam e
reforçavam momentos de tranquilidade. Sombreados por aquelas mesmas folhas,
crianças e adultos pareciam relaxar de um cotidiano corrido, estressante e
natural das grandes cidades. E eu parado ali, incansável andava de um lado ao
outro pensando em participar junto com os muitos jovens que se refrescavam, em
certo momento cheguei a ficar muito perto daquele grupo, até coloquei um dos
pés no mesmo espaço onde estavam. Praticamente não consegui notar diferença de
temperatura ou consistência daquele meio, sai rapidamente ao sentir que podia
incomodar e causar algum desconforto àquela gente toda.
Nem
notava o tempo passar, o mais aparente era o número de pessoas bem maior do que
no início da tarde. Sob um sol escaldante a diversão era cada vez maior e todos
aproveitavam cada minuto. Lembrei-me de uma época onde eu fazia o mesmo que
eles, engraçado é que quando isso veio à minha mente só tinha a lembrança de
quanto entrei naquele ambiente e nem se havia outras pessoas me acompanhando, só
conseguia enxergar aquelas muitas pessoas celebrando aquele dia de um belo dia.
Eu estava ali e não conseguia entender certas recordações. Não sei precisar
quanto tempo já havia se passado, muitos já haviam ido embora e aos poucos
aquele espaço foi ficando maior, o sol já não estava tão próximo assim e aos
poucos ia se escondendo. Em certo momento me vi sozinho e; mesmo assim não
tinha como sair daquele lugar, era como se eu morasse por ali, o máximo que
fazia era ir para trás de umas grades que rodeavam o local e ficar junto a um
paredão que separava o local da rua e de um enorme terreno lateral. Em breve
tudo aquilo ia se repetir novamente.
É,
o tempo passou e todos deixaram o local, como em outros momentos eu sabia que
voltariam, a euforia e a alegria seriam as mesmas, minhas dúvidas permaneceriam.
Muito tempo depois a calmaria era grande, a água já não se mexia da mesma
forma. Aproveitei aquele silêncio para voltar ao local para entender melhor a
situação. Ao colocar os pés na água novamente os mesmos não molhavam, nem
afundavam. Mais incrível ainda foi quando fiquei com os dois pés dentro e andei
como se fosse sobre terra, talvez por isso não era percebido quando junto a
todas aquelas pessoas. Ao mesmo tempo em que visualizava aquele enorme espaço
notava que quando havia uma grande concentração de pessoas não conseguia perceber
os detalhes do espaço. As placas indicavam um grande clube onde um dia eu fui e
não mais retornei.
Horas
que passam. Aquela piscina era enorme, imensa e quando vazia parecia ainda
maior.
Gilberto - 01/11/2014.
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