sábado, 1 de novembro de 2014

JÁ ERA HORA



Já era Hora.

            Não sei o quanto aquelas pessoas sentiam-se felizes. O tempo passava e tudo o que se notava eram sorrisos e gargalhadas dentro daquele quadrado azul cheio de água. Estava muito próximo e a vontade de compartilhar e viver tudo aquilo era enorme. Em algum outro momento já havia vivenciado aquilo também.
            O som das folhas de alguns coqueiros se contrastava com o cantar de alguns pássaros que sempre apareciam no local, eram comuns, mas encantavam e reforçavam momentos de tranquilidade. Sombreados por aquelas mesmas folhas, crianças e adultos pareciam relaxar de um cotidiano corrido, estressante e natural das grandes cidades. E eu parado ali, incansável andava de um lado ao outro pensando em participar junto com os muitos jovens que se refrescavam, em certo momento cheguei a ficar muito perto daquele grupo, até coloquei um dos pés no mesmo espaço onde estavam. Praticamente não consegui notar diferença de temperatura ou consistência daquele meio, sai rapidamente ao sentir que podia incomodar e causar algum desconforto àquela gente toda.
            Nem notava o tempo passar, o mais aparente era o número de pessoas bem maior do que no início da tarde. Sob um sol escaldante a diversão era cada vez maior e todos aproveitavam cada minuto. Lembrei-me de uma época onde eu fazia o mesmo que eles, engraçado é que quando isso veio à minha mente só tinha a lembrança de quanto entrei naquele ambiente e nem se havia outras pessoas me acompanhando, só conseguia enxergar aquelas muitas pessoas celebrando aquele dia de um belo dia. Eu estava ali e não conseguia entender certas recordações. Não sei precisar quanto tempo já havia se passado, muitos já haviam ido embora e aos poucos aquele espaço foi ficando maior, o sol já não estava tão próximo assim e aos poucos ia se escondendo. Em certo momento me vi sozinho e; mesmo assim não tinha como sair daquele lugar, era como se eu morasse por ali, o máximo que fazia era ir para trás de umas grades que rodeavam o local e ficar junto a um paredão que separava o local da rua e de um enorme terreno lateral. Em breve tudo aquilo ia se repetir novamente.
            É, o tempo passou e todos deixaram o local, como em outros momentos eu sabia que voltariam, a euforia e a alegria seriam as mesmas, minhas dúvidas permaneceriam. Muito tempo depois a calmaria era grande, a água já não se mexia da mesma forma. Aproveitei aquele silêncio para voltar ao local para entender melhor a situação. Ao colocar os pés na água novamente os mesmos não molhavam, nem afundavam. Mais incrível ainda foi quando fiquei com os dois pés dentro e andei como se fosse sobre terra, talvez por isso não era percebido quando junto a todas aquelas pessoas. Ao mesmo tempo em que visualizava aquele enorme espaço notava que quando havia uma grande concentração de pessoas não conseguia perceber os detalhes do espaço. As placas indicavam um grande clube onde um dia eu fui e não mais retornei.
            Horas que passam. Aquela piscina era enorme, imensa e quando vazia parecia ainda maior.

Gilberto - 01/11/2014.

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