sábado, 13 de julho de 2013

UMA HISTÓRIA DA NOITE NO DIA


           Uma História da Noite no Dia.
           Aquele era um dia diferente e eu estava longe de casa. Quantas pessoas andando pelas ruas em um vai e vem incessante. Parecia muito com os ambientes de historinhas que me contavam quando criança.     
            Cheguei a encontrar alguns conhecidos que indagavam que iriam logo para casa, pois naquele dia, segundo estudos astrológicos, uma horrível criatura apareceria antes do pôr do sol. O tempo ia passando cada vez mais rápido e pessoas apressadas estavam por todo lado, aos poucos muitos espaços iam se formando pelas calçadas e ruas que, horas mais tarde, já estavam quase desertas.
            Diante de tanta incerteza me dava até calafrio pensar em como seria essa horrível criatura. Tamanho gigante, pelos pelo corpo todo, dentes grandes, olhos vermelhos, rosnar assustador... Sei lá, cada vez que eu pensava e imaginava uma formação diferente. Agora somente eu na rua e o dia quase se pondo. Todos se esconderam, eu sem rumo certo e com receio do que viria ao por do sol, talvez nada acontecesse sob mais essa expectativa exagerada de crença do povo.
            Parecia um passe de mágica, neste momento eu já começava a ouvir vozes e algumas pessoas já podiam ser vistas pela rua, provavelmente notaram que a previsão não se cumpriria e decidiram voltar aos seus afazeres. A movimentação, a poucos minutos do final do dia, era a mesma dos dias comuns, porém a fisionomia das pessoas era diferente: rostos escurecidos, olhos brilhantes, a pele parecia recoberta de piche e rosnavam feito tigre em fúria. Eu não entendia como, mas os corpos iam se entrelaçando e uma nova criatura ia se formando, maior e mais forte, bem de acordo com as características que ora antes estavam em minha mente. Somente eu resistia em fazer parte de tudo aquilo, mas uma hora não teve como evitar, meu corpo também foi de encontro ao que parecia ser uma enorme criatura das lendas e dos sonhos misteriosos.
            Realmente eu estava longe. Parecia até ser uma criança que, atentamente, ouvia certas histórias e prenúncios que de fato se realizariam.

            Gilberto - 13/07/13.

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