sábado, 22 de agosto de 2015

UM CAMINHO DIFERENTE E ESTRANHO À FEIRA

Um Caminho Diferente e Estranho à Feira.


             Todos alegres dentro do carro. Trânsito lento e a esperança de chegada rápida ao local de destino.
            - Vamos por aqui, - disse a condutora ao pegarmos uma ruazinha sentido a um evento de papelaria na cidade. Aspectos nunca vistos, chão rústico, cheio de pedras, matos cobertos pela poeira e grandes árvores foram a única visão daquela entrada sombria. Pouco se via à frente devido à enorme nuvem de poeira que se formava pela passagem dos pneus. Por um momento somente a luz do farol nos fazia notar que a paisagem ficava ainda mais escura e coberta pelas árvores. A lua ao fundo trazia a lembrança de clássicos e temíveis personagens da noite. E a rua ia ficando para trás e dentro do carro a sensação de uma longa viagem que não se conhecia aonde se chegaria.
            Alguns, apesar de procurar não demonstrar, davam sinal de medo. Os comentários e as brincadeiras eram mais constantes e já apareciam algumas preocupações. - Para, estão me deixando nervosa, vamos voltar? - Não é a melhor hora para isso, se ouvia. - Mas o que fazemos? - Horas já haviam se passado e nada de chegada, poucas luzes e nenhum sinal de vida. Bem perto e ao lado do carro uma enorme figura foi vista, quando olhei só vi um enorme pé, parecia um pé peludo de um cachorro gigante. Algumas luzes de carros passavam por nós, mas, eram somente as luzes e mais nada, a impressão que se tinha era que estávamos circulando pelo desconhecido. Uma ponte e um carro à nossa frente, estes apareceram do nada e assim também desapareceram, suscitavam apenas nos levar a algum lugar. Passando pela ponte o sentimento era de que a mesma não estava ali e; ao olhar para trás não se viu que não estava mesmo, apenas uma figura humana estranhamente apareceu sobre ela, lembrava uma garoto ainda, cabelo grande, roupas largas e uma posição de guardião que parecia que já nos aguardava, mas, também ficou para trás e viagem continuou. As árvores estavam maiores e a estrada mais longa, esburacada e pouco perceptível, se antes pouco se via, agora a sensação era de extrema ausência. Algumas luzes apareceram, pareciam pequenos bares e rudes comércios. O aspecto de todo aquele trajeto, que durou cinco horas, definitivamente ficou para trás e aquela, então, ruazinha chegou ao fim.
            Chegamos ao local esperado e o lobisomem, de pé peludo, ficou para trás e nas páginas de um livro lido ali na feira.

Gilberto - 22/08/15.

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