Um Caminho Diferente e Estranho à Feira.
Todos
alegres dentro do carro. Trânsito lento e a esperança de chegada rápida ao
local de destino.
- Vamos por aqui, - disse a
condutora ao pegarmos uma ruazinha sentido a um evento de papelaria na cidade.
Aspectos nunca vistos, chão rústico, cheio de pedras, matos cobertos pela
poeira e grandes árvores foram a única visão daquela entrada sombria. Pouco se
via à frente devido à enorme nuvem de poeira que se formava pela passagem dos
pneus. Por um momento somente a luz do farol nos fazia notar que a paisagem
ficava ainda mais escura e coberta pelas árvores. A lua ao fundo trazia a
lembrança de clássicos e temíveis personagens da noite. E a rua ia ficando para
trás e dentro do carro a sensação de uma longa viagem que não se conhecia aonde
se chegaria.
Alguns, apesar de procurar não
demonstrar, davam sinal de medo. Os comentários e as brincadeiras eram mais
constantes e já apareciam algumas preocupações. - Para, estão me deixando
nervosa, vamos voltar? - Não é a melhor hora para isso, se ouvia. - Mas o que
fazemos? - Horas já haviam se passado e nada de chegada, poucas luzes e nenhum
sinal de vida. Bem perto e ao lado do carro uma enorme figura foi vista, quando
olhei só vi um enorme pé, parecia um pé peludo de um cachorro gigante. Algumas
luzes de carros passavam por nós, mas, eram somente as luzes e mais nada, a
impressão que se tinha era que estávamos circulando pelo desconhecido. Uma
ponte e um carro à nossa frente, estes apareceram do nada e assim também
desapareceram, suscitavam apenas nos levar a algum lugar. Passando pela ponte o
sentimento era de que a mesma não estava ali e; ao olhar para trás não se viu
que não estava mesmo, apenas uma figura humana estranhamente apareceu sobre
ela, lembrava uma garoto ainda, cabelo grande, roupas largas e uma posição de
guardião que parecia que já nos aguardava, mas, também ficou para trás e viagem
continuou. As árvores estavam maiores e a estrada mais longa, esburacada e pouco
perceptível, se antes pouco se via, agora a sensação era de extrema ausência.
Algumas luzes apareceram, pareciam pequenos bares e rudes comércios. O aspecto
de todo aquele trajeto, que durou cinco horas, definitivamente ficou para trás
e aquela, então, ruazinha chegou ao fim.
Chegamos ao local esperado e o
lobisomem, de pé peludo, ficou para trás e nas páginas de um livro lido ali na
feira.
Gilberto - 22/08/15.
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