História
de Princesa
Naquele lindo e imenso
castelo vivia uma linda jovem. Clara, apesar de quinze anos de idade, era muito
querida por todos.
Sempre com um sorriso no
rosto adorava andar por todos os cantos daquele local e, muitas vezes, junto
com seu amigo, Ernest, procurava conhecer todos os espaços de uma imensidão que
tanto a encantava. Chegou ali muito pequena, tinha três anos apenas e em suas
vagas lembranças não conseguia esquecer os brutos soldados que levaram seus
pais e seu irmão dois anos mais velho que ela. Tem a convicção de que só não foi levada
junto com eles por estar dormindo em baixo da sua cama, uma velha mania que
tinha e que pode ter a deixado para trás. Lembra que seu irmão, mesmo pequeno, gritava
muito e mesmo não pronunciando seu nome se mostrava desesperado pela irmã. Alguns
dias depois que seus pais tinham sido levados ela foi achada através de seu
choro que, mesmo baixo, chamou a atenção de uma camareira do rei que passava
por perto. A camareira a recolheu com muita cautela e em silêncio a levou para casa.
Ali, Clara cresceu na companhia dos filhos da camareira. Ela considerava todos
daquela casa como sua família, mas falava pouco de seu passado, mesmo porque a
doce camareira que a criou evitava falar do passado. Pressentia que tinha algum
mistério no ar. Somente lamentava nunca mais ter visto seus pais e seu irmão.
Ela sabia que para o rei
mandar qualquer pessoa embora do castelo e de suas redondezas era uma prática fácil
e costumeira, por vezes presenciou o mesmo expulsando pessoas do castelo ou
mesmo de suas proximidades, bastava alguma discordância e lá iam os soldados
buscar os desafetos e levá-los para longe. Para onde iam ninguém sabia, havia comentários que eram deixados em calabouços ou
em outros reinos muito, muito distantes. Certa vez Clara e seu amigo Ernest
resolveram seguir uma caravana de soldados que levava uma família embora,
saíram do castelo escondidos em uma carroça junto com eles, mas perceberam que
o caminho estava ficando longe demais e resolveram, disfarçadamente, descer e
voltar. Realmente ninguém sabia para onde levavam as pessoas.
Ernest era um amigo que
quase sempre estava em sua companhia. Apesar de ter chegado há cinco anos para
trabalhar no castelo se adaptou bem aos costumes e à rotina, era ele que
cuidava dos cavalos do castelo e por isso tinha certa proximidade com o rei e com os seus soldados. Clara confiava muito nele. Os anos se passavam e os dois cada
vez mais estavam juntos. Assim como Clara, Ernest também não tinha família,
chegou ao local como um forasteiro sem destino e que por ter grandes
habilidades com equinos foi logo incorporado aos serviçais do rei. O grande
castelo estava sempre cercado, além das enormes muralhas também havia uma
imensidão de soldados e homens fiéis à coroa, pois este reinado, algumas vezes,
era ameaçado por outros reinos, mas devido à sua tirania e força poucos ousavam
enfrentar ou tramar ações contra o castelo.
Quinze anos se passaram
desde que Clara foi acolhida por uma nova família. Uma grande festa
aconteceria, desde a meia-noite, para comemorar todo esse tempo do rei no
poder. Uma coincidência com a maioridade de Clara. Naquele dia, apesar da
festa, o clima no castelo estava estranho, soldados por todo canto e uma
proteção ao rei maior do que a normal, mas Clara achava que era pela grande
expectativa em virtude da grande festa. Logo pela manhã saiu pela rua e como
sempre foi procurar por Ernest para aproveitarem o dia, sua alegria não deixava
qualquer pessimismo crescer, mesmo com toda a proteção vista em todos os cantos
por onde passava. Chegando à casa de Ernest uma grande surpresa, não encontrou
o amigo, foi procurá-lo em outros locais e nada de achá-lo. Buscas em vão. Rapidamente
foi até onde achava que o encontraria, o Recanto dos Cavalos, um local onde
ficavam todos os cavalos do castelo e a grande tropa de homens responsável
pela segurança da coroa e de suas terras, era um espaço enorme. Logo que chegou não viu
ninguém e também nenhum animal estava ali. Pela primeira vez mostrou-se preocupada.
Ao voltar pelas ruas que
levavam diretamente ao castelo não via ninguém, achou que as pessoas estariam
comemorando o dia em algum outro local, apesar de estranhar todo aquele
silêncio. De repente um grandioso grito ecoa no ar, era tão forte que chegava a
tremer os cartazes espalhados pelas luminárias das calçadas. Agora entendia
porque não encontrava ninguém, certamente as pessoas sabiam do que estava por
acontecer e saíram antecipadamente de suas casas. Do forte grito e saindo pelas
grandes curvas que davam à entrada do castelo viu aparecer à sua frente um
grande exército, centenas de homens em seus cavalos seguiam para o castelo. Na
frente do grande exército um cavalo diferente e um bravo soldado fazia seu
papel na condução da tropa, seu rosto ficava oculto pela bela máscara e suas
vestes brilhavam pela cor e pelos adereços tão marcantes. Ao chegar perto dela
esse soldado perguntou o que ela ainda fazia ali e disse que todos estavam fora
dos muros do castelo, pois naquele momento haveria uma importante invasão para
derrubar o rei e acabar com todo o seu reinado de domínio e de maldades sobre povo
e sobre os reinos vizinhos, pediu para ela sair daquele local. Apesar de
concordar, bastou o soldado seguir com o exército para ela se esconder atrás de
uma parede e aguardar todo os acontecimentos. Algumas horas se passaram, muitos
gritos foram ouvidos até que tudo foi se acalmando e a batalha, por trás das
paredes do castelo, havia acabado. Um enorme silêncio e muitos homens já
voltavam, cansados pela batalha passavam por Clara comemorando e dizendo
palavras de ordem e vivas ao novo rei. Pensativa ela somente queria entender o
que de fato acontecia. Agora aquele soldado que a orientou na entrada vinha ao
final da tropa, ainda de máscara mostrava contentamento e alegria. Novamente
parou perto de Clara e pediu para a mesma subir em seu cavalo que a levaria à
entrada do castelo para ver a entrada do novo rei, pois o castelo havia sido tomado
e o antigo rei, apesar da fuga pelos fundos, havia sido destituído, preso e levado
pelos soldados para outro reino muito longe dali. Ela titubeou, mas mesmo assim
seguiu com ele rumo ao ponto de encontro à chegada do novo rei.
Ainda dentro do castelo
o enorme portão se abriu e uma grande caravana adentrou com uma carruagem
aberta à frente, sobre ela o rei e sua rainha. A carruagem parou perto de Clara
e o novo rei olhou firme em seus olhos, lágrimas escorreram e com a voz firme a
chamou de filha e de minha pequena linda. Clara estava sem entender nada e
ficou apreensiva quando a rainha também lhe rendeu os mesmos gestos e palavras do rei,
neste momento ela olhou para o soldado, agora sem máscara, que havia a levado
até ali e uma teve uma grande surpresa, era Ernest. Este com um bonito sorriso
logo a chamou de princesa e linda irmã. Estavam ali seus pais e seu irmão.
Ainda sem entender muito bem subiu com os três na carruagem e por onde passavam
as pessoas acenavam e mostravam alegria pelo novo rei, pela rainha, pela
princesa e pelo príncipe. No caminho a camareira que a acolheu quando pequena
subiu, com toda sua família, em uma carruagem logo atrás, ela sabia de toda a
história desde o começo e foi reconhecida como alguém primordial ao reinado e
recompensada com títulos pela lealdade e fidelidade ao novo rei.
Na
porta do castelo tudo foi explicado a Clara. O rei disse tudo sobre a expulsão de
anos atrás, que estava muito longe e que a cada dia fora das redondezas do
castelo ele e a rainha pensavam nela a cada instante, que foram expulsos porque
seria ele o sucessor a assumir o reinado em poucos dias e que o rei, que não queria que isso ocorresse, resolveu atentar contra a família ordenando sua expulsão para um lugar onde não pudesse mais voltar. Esperou Ernest crescer para começar a virar o jogo, ele foi preparado,
junto ás forças de outros reinos contrários ao rei que os expulsaram, para que
já dentro do castelo fossem montadas estratégias para a retomada do reino. Agora o
castelo tem um novo rei e uma nova princesa.
Clara continua linda e
adorada por todos. Vive ao lado dos pais e de seu amigo e irmão, príncipe
Ernest.
Gilberto - 29/01/17.
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